Carisma
Carisma é um dom do Espírito concedido a uma pessoa, ou a um grupo de pessoas, em vista do Bem Comum. Quando falado de uma Congregação, acredita que o Espírito Santo concede à Fundadora o carisma pessoal que será desenvolvido de acordo com as diversas circunstâncias, e se torna Carisma Fundacional. Este é, permanentemente, atualizado pela ação do mesmo Espírito, à luz dos sinais dos tempos.
Madre Anastasie foi escolhida, e “conseguiu fazer desabrochar, em sua natureza de mulher, inúmeras qualidades. Em sua sorridente pessoa se uniam, muito bem, a sabedoria e o bom senso, a doçura e a força, a bondade e a firmeza, a visão geral e a atenção dos detalhes.” (cf. M.B. p. 129).
No início da Congregação, ela se empenhou em concretizar o grande desejo do seu tio, o Padre Gavalda: “Transmitir à juventude a inteligência da fé”. A escola e o cuidado dos doentes em domicilio foram os meios utilizados para transmitir às crianças e aos adultos da aldeia de Bor e Bar, o conhecimento de Jesus. Estas duas tarefas, ensinar e cuidar dos doentes, eram tão importantes que foram reconhecidas por Madre Anastasie como a finalidade do seu Instituto, conforme ela mesma diz na carta que escreve a Napoleão IIIº em 1863: “Esta casa, fundada em 1851, em Bor e Bar, Distrito de Najac, Aveyron, tem por finalidade a educação da juventude e o cuidado dos doentes”.
Em 1891, o Papa Leão XIII, ao conceder a aprovação da Congregação, recomendou às Irmãs: “Dar às jovens uma educação sólida, formando-as nos costumes cristãos e dedicarem-se ao serviço dos doentes”. Com base nestas considerações, dizia-se, então, que o Carisma da Congregação era a inteligência da fé, através da educação e do cuidado dos doentes.

Em 1875, o Padre Jacinto Cormier, Dominicano, pregou Retiro para as Irmãs, falando sobre os valores, o estilo de vida e a Missão da Ordem fundada por São Domingos. Madre Anastasie e suas Irmãs ficaram encantadas. Era exatamente isto que procuravam e desejavam há muito tempo. Elas já se sentiam, de algum modo, Dominicanas, pois que seguiam, a caráter provisório, as Constituições das Monjas Dominicanas de Gramont. Aceitaram a sugestão do
Padre Pregador: pedir a filiação do seu Instituto à Ordem Dominicana. Este pedido foi feito, e as Irmãs consideraram este fato como um sinal de Deus.
O Padre Cormier, por solicitação de Madre Anastasie, se encarregou de redigir as Constituições e transmitir às Irmãs orientações sobre a vivência dominicana, suas tradições, seus valores, seu espírito e o Carisma da Ordem: a Pregação. A filiação da Congregação à Ordem de São Domingos foi declarada no dia 27 de novembro de 1875. “Madre Anastasie queria que sua Congregação fosse Dominicana em tudo: em sua finalidade, em seu espirito, em sua prática” (cf. V. B. p. 46).
Para serem fieis a este Carisma, as Irmãs devem se formar na vida de oração e contemplação, no anúncio da Palavra em suas diversas formas, na pobreza, na generosidade, no amor compassivo às pessoas, sobretudo as mais necessitadas, e no respeito à natureza. Com coragem e atentas à realidade, devem buscar a perfeição no ser e no agir, sempre alegres em servir: “Sede alegria da cabeça aos pés” (M.A.).
De acordo com as Constituições, as Dominicanas de Monteils devem viver a Missão “segundo a graça própria de São Domingos que dedicou sua Ordem ao serviço da Palavra de Deus. Palavra:
- Escutada com o coração e a inteligência
- Aprofundada no estudo
- Celebrada numa oração viva
- Vivida em comunhão fraterna
- Anunciada e manifestada por toda a vida.
A Palavra de Deus ocupa o centro da Vida Dominicana e as Irmãs estejam atentas à realidade e se considerem enviadas a todas as pessoas, numa atenção particular aos pequenos e aos pobres, e na recusa de toda discriminação (Cf. Const. Cap.lº4C e 5C).
Partindo destas reflexões, o Carisma da Congregação consiste em:
“Viver a Palavra com Simplicidade e Testemunhá-la com Audácia e Alegria, nas diversas iniciativas Evangelizadoras, no Cuidado com a Vida e em Harmonia entre Contemplação e Ação.”